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segunda-feira, agosto 13, 2007

American way of life

Ambição, inveja, fama, intriga, sexo, dinheiro. O universo da propaganda daria um bom roteiro de TV. E deu. “Mad Men” – trocadilho das palavras “ad” (de propaganda) e “mad” (maluco) – é como eram chamados os publicitários na Manhattan da década de 60 e, agora, o nome do melhor e mais comentado seriado da temporada. Com certeza, vai ganhar muitos prêmios. Se você é publicitário, já ficou com inveja.

Criada por um dos escritores de “Os Sopranos”, a série usa a época áurea da publicidade como pano de fundo para a crua realidade da natureza humana. E, como se sabe, não há vista mais privilegiada na Terra para observar o comportamento da espécie que em uma agência de propaganda. Eu já vi criaturas ainda não catalogadas pela National Geographic. O personagem principal é o ano de 1960, nascimento do “American Dream” e auge do sexismo. E é neste momento histórico onde desfilam as diversas psicologias dos funcionários da “Sterling Cooper” – a fictícia agência de propaganda do seriado. O chato de uma agência fictícia deve ser que só dá pra ganhar prêmio no Desencannes.

A publicidade era o emprego ideal para a época. A profissão pagava muito bem, os EUA estavam em franca prosperidade, a TV estava se estabelecendo. Mas, “Mad Men” vai além disso. É o retrato fiel de um tempo em que o desrespeito com a mulher e o assédio sexual no escritório eram quase obrigatórios. E esse comportamento dominante do homem sobre o drama da mulher, mostra como quanta coisa mudou nos últimos anos – e quanta coisa não mudou.

O cigarro é um objeto onipresente em cena. Todos fumam, todo o tempo. No elevador, durante as refeições, na presença de crianças (mesmo que dentro da barriga). Mas se engana quem pensa que o que ocorre é a glamourização da droga. Os excessos do cigarro – e também da bebida – ganham tom de total auto-crítica. Foi nesse tempo que os primeiros relatórios médicos contra o cigarro surgiram, enquanto a propaganda encontrava caminhos para driblá-los, como ainda fazemos hoje.

Um detalhe interessante: nos intervalos, antes de cada comercial, passa sempre uma cartela de texto com uma curiosidade sobre o produto ou a marca a seguir.

A série está em seu quarto episódio no canal AMC e foi muito bem recebida pela crítica. Mas, acho que exceto por mim, não agradou os profissionais de propaganda. A Advertising Age fez uma pesquisa e “a maioria condenou os personagens estereotipados”, como se as figuras do “criativo egocêntrico”, o “atendimento frustrado” e o “cliente arrogante” fossem apenas figuras folclóricas do imaginário popular, como a Mula Sem Cabeça, o Saci e o terrível Job Sem Briefing. “Mad Men” traz desconforto, sim, porque nos mostra o lado menos nobre do publicitário – e do ser humano. Mostra as nossas características negativas. E ninguém gosta de produto com características negativas. Tanto que elas ficam sempre em letras minúsculas, no cantinho dos anúncios.

ATUALIZAÇÃO: A série ainda não chegou ao Brasil. Acho que nem existe o canal AMC aí. Mas, sem dúvida, alguma rede vai exibir em breve.




4 Comentários:

Blogger Bruno Almeida disse...

Incrível como a propaganda acolhe o pior tipo de gente desde que ela existe. Egocêntricos, maníacaos depressivos, sexistas, carreiristas, muitas vezes tudo isso em uma pessoa só. Ainda assim eu consegui fazer alguns amigos. Gostaria que nós não tivéssemos que nos vender tanto nessa carreira.

7:53 AM  
Blogger Marcia Ceschini disse...

hummmmmm eu gostaria de assistir a série.. mas não tenho esse canal.
Falar nisso, já viu a Management TV, tem por ai? Eu achei muito interessante.
Um abraço e boa semana

12:26 PM  
Anonymous Oks disse...

Também acho que tem muito de ego ferido nessas criticas dos publicitários à série. Só pra acrescentar: sem querer contradizer mas já contradizendo, o nome da série Mad Man vem da Madison Avenue, em Nova York, que era o reduto das agências. Mas claro que a jogadinha com "mad" deu um novo sentido ao nome.

6:43 PM  
Blogger Daniel Xavier disse...

Show, Oks. Valeu pela dica. Não tá contradizendo, não. As duas coisas estão certas. A explicação que eu usei é a que eles contam na abertura do seriado. Juntando o que você acabou de dizer, o trocadilho fica maior ainda. Ok, vou botar seu nome na ficha.
abs,
:D

7:04 PM  

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