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terça-feira, abril 20, 2010

BABOU

PARTE I: O BRASIL "YES, WE CAN" MAIS

Como vocês devem saber há esta altura, semana passada o Serra lançou o slogan de sua campanha à presidência, "O BRASIL PODE MAIS".

PARTE II: SAÚDE, EDUCAÇÃO, 45

Domingo passado, intervalo do Fantástico, a Globo lança a sua campanha de 45 anos:



PARTE III: TELA QUENTE

No dia seguinte ao lançamento, alguma coisa aconteceu. A campanha é retirada do ar. A emissora envia a seguinte nota:

O texto do filme em comemoração aos 45 anos da Rede Globo foi criado – comprovadamente – em novembro do ano passado, quando não existiam nem candidaturas muito menos slogans. Qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme.

FINAL: BASTIDORES, MORAL DA HISTÓRIA E CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS

Por Mauco Aurélio Mello (editor do Jornal Nacional e Jornal da Globo por 7 anos, hoje na Record), em seu blog DoLaDoDeLá, via Azenha.

Os bastidores do quase-golpe


Da série ficção, a preferida dos internautas. (os leitores do Marco Aurélio sabem que ele usa a palavra "ficção" ironicamente nestes casos - Midionauta)

Começou com um telefonema de um ator consagrado para o diretor do núcleo.

Ele estava irado com a peça promocional que foi ao ar na noite de Domingo.

Era um institucional de trinta segundos em que ele dizia apenas duas palavras.

Mas a montagem induzia o telespectador a acreditar que se tratava, não de uma campanha de aniversário da maior emissora de televisão do país, mas um mosaico grosseiro cujo slogan “a gente faz sempre mais” é uma clara alusão ao do candidato José Serra.

E para corroborar com a leviandade, ainda vinha o número quarenta e cinco assinado na peça, ao lado do logotipo.

Ao todo, foram quarenta celebridades entre as turmas das produções, humor, shows, esporte e jornalismo.

Achei até curioso a manifestação ter partido de um ator e não de um de nós.

Afinal, vendemos a eles apenas nossa força de trabalho, não nossas consciências.

Será?

Nem sei mais…

O ator foi duro e franco com o executivo da empresa.

Se alguma providência não fosse tomada, ele ia aos jornais dizer que foi vítima de manipulação.

Era tudo o que a emissora não queria ouvir nessa altura do campeonato.

Ainda que seu candidato pudesse ser o mesmo que o da emissora, ele jamais se sujeitaria a trabalhar naquelas condições.

E antes de desligar, avisou: Eu não estou sozinho.

O diretor pediu paciência, disse que ia encontrar uma saída.

Pensou em quem confiar num momento desses de conflito: talvez um executivo que tivesse bom transito com o jornalismo.

Afinal, foi coisa dos herdeiros da Corte do Cosme Velho, incentivados pelo Guardião da Doutrina da Fé, pensou.

Assim que amanheceu propôs o encontro ao executivo que considerou ser hábil o bastante para apagar o fogo.

Nisso a internet já fervilhava.

Pressões vinham de todos os lados, a opinião pública, os patrocinadores, os políticos, os amigos.

É preciso convencer a direção de que foi um tiro no pé.

Mas como fazer isso?

Juntando argumentos.

E lá foram os dois tentar convencer os acionistas de que aquilo fora um erro.

Os artistas respeitam os interesses comerciais e políticos da emissora, mas consideram que não cabe a eles exercer esse papel institucionalmente.

O artista é o vendedor de sonhos e ilusões para todos, não só para um determinado grupo político.

Afora os artistas, tem os jornalistas que emprestam sua credibilidade à emissora.

Ações assim podem arranhar para sempre esse vínculo com o telespectador.

E assim foram as tratativas durante toda a tarde.

Ok, mas qual seria a solução?

Pensaram em várias.

Ao final do encontro triunfou aquela que diz assim: “O texto do filme em comemoração aos 45 anos da Rede Globo foi criado – comprovadamente – em novembro do ano passado, quando não existiam nem candidaturas muito menos slogans. Qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme.”

Esta noite não vai ser boa, nem para o Guardião, nem para a Central de Comunicação, e muito menos para o patrão. Nós aqui fora sabemos de tudo! O Povo não é bobo. Fiquem espertos.

PS do Azenha: Com a experiência que tenho em televisão, sei como essas coisas funcionam. O conjunto da obra só fica claro para quem gravou alguns segundos de uma peça ficcional quando ela é apresentada ao público. Duvido que tenha sido a internet a responsável pela decisão da emissora. Atribuo isso, acima de tudo, à reação interna e ao medo de que houvesse protestos públicos de quem se sentiu ludibriado!




7 Comentários:

Blogger O Nômade disse...

Acho esse auê todo uma paranóia completa. Criativa, mas fictícia.

3:00 PM  
Blogger Daniel Xavier disse...

Discutível. Esse ano vai ser farto pra observar o comportamento da mídia nas eleições. Se colocarmos o post dentro de um contexto, não fica tão paranóia assim. Nossa mídia tem grandes profissionais mas tem uma minoria, que geralmente ocupa altos postos, que eu acho no mínimo interessante. Por exemplo, entre outros, olha essa da presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva da Folha de S.Paulo, dias atrás: ela declarou com todas as letras, que a imprensa, tem que fazer o papel de oposição, agora que a oposição está enfraquecida. Então a imprensa agora tem que tomar partido? E a capa da Veja com o Serra todo meiguinho? Acho meio perigoso isso.

abs!
:D

1:12 AM  
Blogger O Nômade disse...

Concordo com você que é interessante de ser observado, mas acho que nessas épocas de eleição, as pessoas começam a achar chifre em cabeça de bode, ainda mais se tratando da Globo. São símbolos nazistas escondidos, números da besta e outras coisas do gênero.

No caso da veja eu concordo, até porque ela é descarada. Além dessa capa do Serra, você lembra daquela do Fidel? "Já vai tarde!" era o título da capa, surreal.

Abs!!! :D

2:07 PM  
Blogger Daniel Xavier disse...

Acho que é isso aí. A gente tem que ficar atento para os dois casos. O desafio é exatamente esse, manter o equilibrio entre a paranóia e a alienação. Eu estou otimista, temos a internet.

abs!
:D

3:52 PM  
Blogger Yeda Lins disse...

Não gosto de teorias da conspiração. Não acho que Diana foi propositalmente assassinada. Acho que um bêbado a matou. Também sou contra esses papos de criação proposital de vírus. Acho tudo isso um saco.
Ingênua que sou, quando li a msg na imprensa, da Globo dando sua explicação e dizendo que tiraria a campanha do ar, caí mesmo! Claro que uma campanha como essa não se faz de uma hora pra outra.
Agora... essa do número 45! Eu nem tinha notado!! Porque a Globo aparece com uma campanha de 45 anos?? Não seria o caso de fazer, só com 50 anos?? Ou com 10 anos??
45 é deMAIS, é bandeira deMAIS.
Respeito profundamente os atores, artistas, roteiristas, tudo da Rede Globo. Mas duas concidências de uma vez só, deixa de ser concidência.

4:23 PM  
Blogger Daniel Xavier disse...

Hmm, sei não, Yeda. Acho que eu penso o contrário: pra mim, o 45 foi uma puta coincidência (a Globo geralmente comemora mesmo sempre de cinco em cinco) malandramente aproveitada. Já todo o resto, na minha humilde opinião, foi muito bem pensado e articulado.

abs!
:D

6:00 AM  
Blogger O Nômade disse...

Já aproveitando, o que disse o Midionauta, lembro a você Yeda que a Globo fez um jingle da "Globo 25" com o tema "25 primaveras juntos", que está no YouTube com a presença de Tony Ramos magro e de cabelo preto.

Ela sempre fez de cinco em cinco.

Mas a questão é essa, se essa coincidência foi armada ou não.

Bjs!

4:53 PM  

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