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sábado, agosto 21, 2010

O que está havendo na Colômbia?

Por Tomás Rosa Bueno, via Blog do Luís Nassif

Algo muito estranho está acontecendo na Colômbia. Depois da derradeira bufonaria uribiana, "acusando" a Venezuela de abrigar guerrilheiros colombianos no seu território - à qual aderiram alegre e entusiasticamente os americanos e os nossos bufões tupiniquins -, o presidente recém-empossado parece estar operando uma reviravolta total nas relações da Colômbia com os EUA, com as FARC, com os vizinhos e especialmente com o Brasil e a Venezuela.

Nem bem tomou posse, o novo presidente declarou que a sua prioridade era normalizar as relações com a Colômbia, parou de falar em guerrilheiros em território venezuelano e aceitou a mediação da Unasul no conflito com o vizinho, encontrando-se com o presidente venezuelano na cidade venezuelana onde nasceu o Simón Bolívar e trocando rasgados elogios com o principal inimigo do seu antecessor. Em seguida, declarou-se disposto a abrir negociações com as FARC - coisa que o Uribe se negava a fazer - e, logo de um atentado à bomba que matou nove pessoas e foi atribuído às FARC pelos suspeitos de sempre, o líder do partido do governo no congresso colombiano acusou a extrema-direita e os paramilitares de serem os autores do massacre, numa tentativa de sabotar o diálogo com a guerrilha.

Como se não bastasse, a Corte Constitucional colombiana declarou inconstitucional o acordo militar Colombia-EUA que permitia aos americanos usar sete bases em território colombiano para atividades nunca esclarecidas, e o Juan Manuel Santos, em vez de protestar e defender a validade do acordo, declarou que o vai encaminhar ao congresso para discussão aberta, durante a qual todos os termos do acordo que tanta celeuma causou na América Latina e principalmente com a Venezuela serão discutidos; isto efetivamente liquida o acordo atual, que deixa de ter validade até ser votado, e elimina toda possibilidade de cláusulas secretas em qualquer eventual acordo no futuro.

Ontem, rompendo uma tradição que já se tornara quase parte do protocolo oficial, declarou que a sua primeira viagem internacional como presidente será ao Brasil, e não aos Estados Unidos. E anunciou ao mesmo tempo que receberá o presidente Chávez da Venezuela em Bogotá na próxima terça-feira, em visita oficial.

Finalmente, hoje, depois de cinco dias de negociações bilaterais frenéticas entre a Venezuela e a Colômbia, os chanceleres dos dois países anunciaram um pacote de quinze medidas de normalização das relações que inclui, entre outras coisas impensáveis há dez dias, operações conjuntas da Colômbia e da Venezuela contra a guerrilha e os paramilitares na zona fronteiriça.

Não tenho elementos para formar uma opinião definitiva sobre os motivos e as reais intenções do Juan Manuel Santos. Porém, se a tendência indicada nas suas primeiras ações de governo se confirmar e se consolidar, podemos estar assistindo ao início da pacificação da Colômbia e das suas relações com a América Latina, trazendo esse grande país ao convívio pacífico e frutífero com a comunidade das nações sul-americanas.




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