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domingo, outubro 24, 2010

Jornalismo e Propaganda

Por estar escrevendo pouco, e sobre temas tão densos, eu acho que estou sendo sendo mal compreendido às vezes. E é respondendo comentários que tenho a oportunidade de esclarecer melhor as coisas. Por isso transformo em post minha resposta a um deles. Dizia o leitor que entende minha preferência pelo PT nestas eleições, mesmo após tantos escândalos petistas, mas não vê o porque de eu estar fazendo "campanha tão veemente" para o partido. Conclui perguntando minha opinião sobre as declarações "levianas" do Lula em relação ao episódio da bolinha de papel, uma vez que ele preside todo o país e não o PT.

Deixa eu começar reforçando que ninguém duvida que existe corrupção no governo do PT. Concordo que tem que descobrir e punir todo mundo. O meu único ponto sempre foi: a corrupção praticada pelo PT não é maior que por um governo do PSDB. São exemplos disso as ambulâncias super-faturadas de São Paulo, os mensalões tucano mineiro e do DEM, os dossiês que o Serra faz até contra aliados, o caso Paulo Preto e muitos outros. Enfim, para não entrar nestes méritos, o que eu sempre quis dizer é que a corrupção está nivelada por baixo. Por isso temos que considerar também outros critérios diluídos no debate eleitoral. E aí tento responder o comentário: se achasse que temos uma cobertura equilibrada e plural, livre de manipulações, onde cada um pode formar suas idéias com liberdade, eu estaria feliz falando sobre outros mil assuntos mais divertidos - acreditem, eles não me faltam. Mas não é o caso. Só entrei no modo "política" porque esta desinformação organizada que observo na mídia brasileira realmente me espanta, chegando ao tema do blog. O monopólio do pensamento também é censura. Como bem disse o Veríssimo, nestas eleições estará em prova também o poder de influência desta máquina de mídia. E é isto o que tem guiado o blog editorialmente: para colaborar com a pluralidade de versões, eu me sinto empurrado a tomar partido. Por que eu defenderia José Serra quando nossos principais jornais, a Globo e a Veja já fazem isso? O que eu tento trazer é uma opção. Não acho que estou lavando o cérebro de ninguém. Diferente de regiões inteiras nos confins do Brasil, onde só pega a Globo, ninguém aqui só vê o Midionauta. Além do mais, se alguém pode fazer campanha política, sou eu, como publicitário, e não eles, como jornalistas.

O caso da bolinha de papel não poderia ser melhor caricatura do que digo. Antes de julgar a "levianidade" do Lula, que seria o efeito do evento, primeiro temos que ir ao evento em si:

FATO: algo atinge José Serra. Ele cancela sua agenda e parte em emergência, de helicóptero, para fazer uma tomografia com o médico que trabalhou no governo César Maia, seu aliado. Nos exames, nada é constatado. Índio da Costa afirma que o objeto teria 2kg. Logo mais, Serra, em vídeo, diz que teria 0,5kg. Serra usa o episódio em sua propaganda eleitoral nos dias seguintes.

VERSÕES: para o JN daquela noite, o que aconteceu foi um atentado terrorista. Imagens do SBT e Record confirmam que, sim, Serra foi atingido mas por uma bolinha de papel. Ainda naquela noite, algumas fotos do O Globo com Serra levando as mãos a cabeça aparecem na internet e surge a versão de um segundo objeto, mas nada confirmava isso definitivamente. Como não havia (e não há, como mostrarei adiante) nenhuma outra prova que sustentasse a versão de Serra, e da Globo, só aí entramos na declaração do Lula, na manhã seguinte. Mas, antes disso, vamos terminar a história. Serra continuou explorando o fato em campanha. Finalmente, a noite, o JN coloca no ar o que vai entrar para a história como uma das matérias mais fraudulentas, e toscas!, do nosso jornalismo. Usando fusão de imagens para iludir o telespectador, acompanhada de uma avaliação cheia de erros de um conhecido perito de armário, que nem perito é, a matéria foi vaiada pelos próprios jornalistas da Globo. Horas depois, a internet estava inundada com vídeos caseiros que desmascaravam o maior jornalístico brasileiro:



Esclarecida a fraude, voltamos à reação do Lula. Primeiro, eu não entendo este tabu de que o presidente tem que se distanciar da imagem do seu partido. Isso só existe no Brasil (e só quando o governo é popular, ou seja, agora). O Obama está há meses rodando os EUA, fazendo campanha para os democratas, e aqui ninguém fala nada, nem a Fox News. E olha que ele faz isso durante o expediente, não após às 6 da tarde como Lula. A farsa da bolinha de papel é um evento gravíssimo. Além de dizer muito sobre o caráter do Serra, foi um factóide de marketing calculado para atingir o partido do presidente e sua imagem e prejudicar a continuidade do seu governo. Se pega, a população estará tomando decisões eleitorais sérias em cima de mentiras. Ora, o Lula está errado de defender a verdade e a imagem deste partido, ainda mais, repito, diante de armação tão tosca? A idéia da farsa era vender os petistas como “animais agressivos”, velho preconceito, para o Serra depois fazer cara de cachorrinho doente na porta do hospital, como fez, falando em paz na Terra. Depois dos desmentidos, o foco já saiu da bobina de fita de meio quilo para a meia dúzia de idiotas que criou confusão na passeata. Entre eles, eu não vi o Chico Buarque, o Niemeyer e o Leonardo Boff, por exemplo. Então não dá pra generalizar. Eu acho que tem que ter atenção redobrada quando levantam este tipo de debate. O Lula tinha sim que baixar a bola do Serra, sem trocadilho com o Rojas.




2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

5:48 PM  
Blogger Daniel Xavier disse...

Boa. Hiberna aí ate dia 1. O assunto não muda até lá, agora já de pirraça.

8:37 PM  

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