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quinta-feira, outubro 07, 2010

Sem censura

Logo após o resultado das urnas de domingo, a tropa de choque dos nossos formadores de opinião, a quem se referiu o Veríssimo em texto recente, já estava nas ruas. Ainda naquela noite, Marcelo Madureira era convidado de Diogo Mainardi no Manhattan Connection, onde chamou o Presidente da República de “vagabundo” e “picareta” e disse que ele "não presta", ao vivo, em trecho que foi até censurado pela própria emissora nas reexibições do programa. Já na segunda-feira, foi a vez de mandar o Jabor ao Jô, cartada forte, para um animado bate-papo de comadres recheado com três blocos de jabs nos rins de Lula e Dilma. Recomendo o vídeo, seja para reforçar suas críticas ao governo, seja para identificar, com a lupa midionáutica, esse pensamento político único no cardápio dos intelectuais disponíveis. Mas neste artigo quero chamar a atenção apenas para um trecho específico da entrevista, a fim de concluir, pelo menos por hora, a questão sobre liberdade de imprensa que iniciamos posts atrás. Pois bem. Naquela de “um levanta e o outro corta”, chega um determinado momento que o Jô, depois de insinuar sua opinião, pergunta para o Jabor, com todas as letras e em rede nacional, se existe censura no governo Lula. Só a pergunta em si (e o debate), como disse em outra oportunidade, eu já acho uma aberração, porque induz e desinforma. Mas vamos lá. Diante da escalada no tom sugestivo e conspiratório da conversa, não restou muita opção ao Jabor se não dar uma baixada na bola:

- A imprensa, a liberdade democrática no Brasil, é total. Ainda. Com exceções de coisas casuais, pontuais, por exemplo, o Estadão está em censura há meses, pois não pode falar no Fernando Sarney. (...) Há liberdade sim.


O “ainda” é apenas uma artimanha da campanha do medo, que já vimos em outras eleições. As “exceções” as quais ele se refere também já foram debatidas aqui e não são culpa do governo. O ponto é que, até mesmo um dos mais proeminentes pensadores da mídia oposicionista, quando emparedado, teve que assumir que não há censura de imprensa no Brasil. O resto é letra torturada e morta.




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